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Macaparana

Nos anos 1970, durante os primeiros passos de sua jornada artística, Macaparana retrata em suas pinturas a aridez do sertão pernambucano, sua terra natal. No entanto, é posteriormente que o tema do ex-voto ganha destaque em suas obras. Contrariando interpretações que o associam à religiosidade nordestina ou ao comportamento arcaico brasileiro, Macaparana encara o ex-voto como um objeto de devoção cujas texturas o encantam.

Gradualmente, o artista abandona o tema do ex-voto e passa a focar exclusivamente nas texturas da madeira, iniciando um processo crescente de geometrização em suas telas. Simultaneamente, surge seu interesse em construir volumes com sobras desse material. O crítico Frederico Morais elogia a habilidade de Macaparana em extrair toda a força poética e construtiva da aparente pobreza do material, utilizando tapumes, restos de construção e móveis deteriorados.

Ao reunir fragmentos de madeira em uma nova ordem, Macaparana preserva as cores e texturas originais, assim como as marcas do tempo e os estragos causados pelo uso anterior, capturando uma dimensão temporal e uma espécie de arqueologia urbana. O encontro com a obra de Willys de Castro marca uma mudança significativa na trajetória do artista pernambucano.

A partir desse momento, Macaparana inicia uma nova fase em sua carreira, caracterizada por um diálogo aberto com o neoconcretismo, onde predominam segmentos de retas e formas elementares, como triângulos, retângulos e quadrados. Mantendo-se dentro do campo da geometria, ele expande sua gama de materiais, passando a trabalhar com poliestireno, acrílico e aço a partir dos anos 2000.

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